Pergunta-me que eu respondo.
Pergunta-me que eu respondo.
Pergunta-me o que queres saber que serei o mais honesta possível.
Pergunta-me e eu te responderei que a vida apesar de agridoce na maioria das vezes, tem sido muito útil para lições tão básicas mas que realmente importam.
Pergunta-me porque não sorrio tanto como outrora, ou não sou tão simpática e alegre como há uns anos o era, tão facilmente, demasiado até. A resposta é muito simples, ou aprendes ou aprendes. Porque se não absorveste á primeira, a vida terá formas bem mais duras de te ensinar essa mesma lição vezes e vezes sem conta, com extra dor e penalização, desgastando-te e sugando o que resta da tua vitalidade, do teu ser, porque no final, somos nós próprios que nos infligimos essa dor escrutinante, insistindo no que já não tem resolução possível, persistindo em algo que não te permite sequer crescer, evoluir, saber quem és, do que realmente és capaz.
Terei que responder que não me tornei amarga ou menos sorridente e muito menos antipática. Fria, talvez um pouco, mas apenas por uma questão de sobrevivência e protecção, contudo é sabido que até o gelo derrete, como um coração aquece através do toque, sentimento e da pessoa certa. Não sou excepção, acredita.
Terei que responder também que continuo a dar o mesmo sorriso e carinho, a mesma simpatia, apenas de uma forma muito mais selectiva e sem dúvida sendo retribuída da mesma maneira. Aprendes a dar tanto quanto recebes, é tão simples e básico como isto. Nem seria justo para mim ser de outra forma.
Terei que responder que tenho o mesmo coração de manteiga e que não perdi a fé na humanidade, não totalmente e muito menos no amor. No entanto, aprendi a não ser um saco de pancada nas vidas frustradas e descontentes de muita gente (ora por falta de ocupação ora por falta de vida própria) e de todo permitir que me façam sentir que não mereço as coisas e pessoas boas e genuínas que me rodeiam, me acrescentam e me fazem feliz.
Quem eu amo continua a ter o melhor de mim, quem me prova e mostra lealdade continua a ter a amiga que sempre teve, e por fim, quem acredita em mim, tem a minha eterna admiração e respeito.
A quem me falhou, agradeço pelas lições que me ensinaram; a quem me mentiu e enganou, agradeço pois só me tornou mais alerta e atenta; a quem me manipulou e usou, agradeço por me ter tornado mais astuta e perspicaz; a quem me desiludiu (em grande), agradeço mais ainda pois em alternativa a um sofrimento escrutinante, deu lugar a uma maior resistência e por vezes até a completa imunidade á dor infligida em alguns casos; a quem desapareceu da minha vida, agradeço dado que cumpriram a vossa função e sei que nunca foi intenção do universo permanecerem nela; mais importante, a quem permanece comigo, do meu lado, meus cúmplices, as bases dos meus alicerces, agradeço de coração cheio, visto que é para vocês que sorrio, é por vocês que continuo a acreditar e nunca desistir e é por vocês que a minha chama continua acesa.
E então pergunta-me: porque mudei?
Bem, se ainda existem dúvidas permite-me que esclareça. Não mudei, apenas decidi sensatamente dedicar mais atenção ao meu redor e escolhi dar o melhor de mim, apenas e somente, para quem o realmente merece.
Neste preciso momento, estou a sorrir para os “especiais" da minha vida em forma de agradecimento e porque me enchem o coração de genuína alegria, amizade e verdadeiro amor.
Que a vida vos sorria de volta!
Texto de MiaAmore
3 de Abril de 2019

Temos que cuidar de nós em primeiro lugar e esperar pelo que nos faz falta. Parabéns, soube-me bem ler!
ResponderEliminarMuito obrigado! Já não me recordava deste texto.
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